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Rotativo e parcelamento da fatura: como funcionam e quanto custam

Quando a fatura do cartão de crédito não é paga integralmente, o valor restante passa a ser financiado. Esse financiamento pode ocorrer pelo crédito rotativo ou pelo parcelamento da fatura, e os dois estão entre as formas de crédito mais caras disponíveis ao consumidor. Nesta orientação, explico como cada um funciona, quais regras limitam a cobrança de juros e quais cuidados ajudam você a evitar que a dívida cresça.

O que é o crédito rotativo

O crédito rotativo é acionado quando você paga qualquer valor entre o pagamento mínimo e o total da fatura. A diferença não paga é financiada pela instituição emissora do cartão, com cobrança de juros e encargos, e o saldo aparece na fatura seguinte.

Pela regulamentação do Conselho Monetário Nacional, o saldo não pago só pode permanecer no rotativo até o vencimento da fatura seguinte. A partir daí, a instituição pode oferecer o parcelamento do saldo, em condições que a norma exige serem mais vantajosas para o cliente do que as do rotativo.

Como funciona o parcelamento da fatura

No parcelamento, o saldo devedor é dividido em prestações mensais com juros previamente informados. Ele costuma ter juros menores que os do rotativo, mas continua sendo um crédito caro. Antes de aceitar, verifique:

  • o número de parcelas e o valor de cada uma;
  • a taxa de juros mensal e o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, tarifas, tributos e demais encargos;
  • o valor total que será pago ao final;
  • se as parcelas vão comprometer o limite do cartão nos próximos meses.

O limite para juros e encargos

Desde janeiro de 2024, a Lei nº 14.690/2023 estabelece que o total cobrado a título de juros e encargos financeiros no rotativo e no parcelamento da fatura não pode ultrapassar o valor original da dívida.

Exemplo ilustrativo: uma fatura de R$ 1.000,00 em que você paga R$ 400,00. Os R$ 600,00 restantes podem gerar juros e encargos, mas a soma desses encargos não pode passar de R$ 600,00. Assim, o total a pagar sobre esse saldo não pode exceder R$ 1.200,00, independentemente do prazo.

O limite impede que a dívida se multiplique indefinidamente, mas não torna esse crédito barato: dobrar o valor de uma dívida continua sendo um custo muito elevado.

Alternativas que podem custar menos

  • Pagar o valor integral sempre que possível, ainda que seja necessário reduzir outros gastos no mês.
  • Comparar com outras modalidades de crédito, como um empréstimo pessoal com CET menor, usado para quitar a fatura.
  • Pedir a portabilidade do saldo da fatura para outra instituição, direito previsto na mesma Lei nº 14.690/2023, quando houver proposta com condições melhores.
  • Negociar diretamente com a instituição emissora antes que a dívida se acumule.

Orientação do Consultor

Recomendo que você não trate o pagamento mínimo como uma parcela normal da fatura. Se não for possível pagar o total, solicite o CET das alternativas disponíveis e compare o valor total a pagar em cada uma. A decisão é sua, mas ela deve ser tomada com esses números em mãos.

Em resumo

  • O rotativo é acionado quando a fatura não é paga integralmente e só pode durar até o vencimento da fatura seguinte.
  • O parcelamento da fatura costuma custar menos que o rotativo, mas ainda é caro.
  • Juros e encargos do rotativo e do parcelamento não podem ultrapassar o valor original da dívida.
  • Comparar o CET e o valor total a pagar é a forma mais segura de escolher entre as alternativas.

Fontes e referências

Informações consultadas em outubro de 2026.

Escrito por
rafaeltasso